Booker Pittman
"Você conhece a história do Buca (o apelido dele)?", pergunta. "É experiência de vida, cheia de bom-humor, que não tem igual."
Booker morreu, aos 60 anos, em 1969, por causa de um câncer na laringe. Após 30 anos, Eliana revive as canções que tornaram-se clássicos no sax alto e soprano do músico. "Também, só posso contar os grandes momentos da vida dele, pois os meus, esses eu tenho de manter calados, senão vai sobrar pra todo mundo", diz, referindo-se às histórias (algumas picantes) da juventude.
Segundo Eliana, Booker praticamente não tem registros audiovisuais. "Com os incêndios e a falta de dinheiro das TVs Tupi e Excelsior, as raras imagens do Buca desapareceram", conta. Mesmo assim, por meio de fotografias e gravações antigas de shows, ela vai resconstituir passagens da carreira dele - além de todo o aparato de uma orquestra e uma escola de samba, da Baixada Fluminense (somente no dia da estréia).
A história - O novo encontro com a história de Buca deu-se em março, quando Eliana viajou para a terra do pai, os EUA. Além de passar por Dallas, ela resolveu conhecer as origens da família, em Alabama. Descobriu que seu bisavô fundou a primeira universidade da cidade de Puskegee. "Dei-me conta de quanto meu pai foi corajoso; filho de um arquiteto e uma professora, largou tudo para aventurar-se na França, no mundo e depois no Brasil", relembra. "E por que eu não poderia conseguir patrocínio para homenageá-lo, já que ele é exemplo de vitória?"
A aventura de Booker pelo mundo começou em 1933, quando acompanhou a orquestra de Lucky Miller, na França, onde morou por quatro anos. Nesse período, conheceu o músico brasileiro Romeu Silva, que o levou para uma excursão com outros latinos. A bordo do navio Siqueira Campos, eles foram para a Bahia. Booker adorou o Brasil. Trabalhou no Cassino da Urca, fez amizade com Jorge Guinle, morou em Copacabana, ficou amigo de Pixinguinha. Além disso, continuava tocando em outros países, como a Argentina.
Ophélia Pittman
Dedico o meu último trabalho à minha grande amiga e mãe Ophélia que está patrocinando "Minhas Novas Influências" com muita espiritualidade, pois desde que ela se foi em 15 de agosto de 2000 não parei mais de criar músicas, arranjos, shows - tudo baseado no que ela me ensinou, sendo que o nosso maiorr professor foi o grande saxofonista americano Booker Pittman.
Tudo recomeçou na Lapa, no Asa Branca, onde eu estava apresentando um show genuinamente brasileiro, com produção do Recarey. Lá fui agraciada com a presença do meu afilhado Kleyton Macedo (que participava dos shows e é parte atuante na produção deste CD). Ao assistir o show, ele comentou que eu deveria partir para um novo caminho. Trouxe ainda o DJ Zapalla, que já tinha a idéia de gravar música brasileira com as batidas dos ritmos atuais visando o mercado externo.
E foi assim que os músicos, maestros e arranjadores Alberto Farah, Jimmy Santa Cruz, Luis Carlos, Márcio Mazza, além do próprio Kleyton, fizeram com que partíssemos juntos para um mundo inteiramente novo e maravilhoso, tendo como propósta básica unir a boa música brasileira com os ritmos que representam a globalização - hip hop, funk, house e charm.
Confesso que cada música, orquestrada com os acordes do Farah mais as batidas e o swing do Mazza e do Jimmy, me faz muito feliz. Entusiasmo que eu estendo ao balanço do Luis Carlos e a percussão do Kleyton. Nem sei como me expressar sobre o que vai ser a surpresa de quem já conhece estas músicas ao ouvi-las com um ritmo totalmente novo.
E, para quem está conhecendo agora o que era antigo tratado como novo vai, certamente, ser algo de muito especial. E é exatamente pelo enorme prazer trazido pela descoberta dessa música brasileira dançante que me orgulho mais ainda em dedicar esse trabalho a minha mãe.
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